domingo, 16 de outubro de 2016

Museu Egípcio e Rosacruz - Bacacheri - Curitiba - Paraná

R. Nicarágua, 2620 - Bacacheri, Curitiba.


"Quando a Grande Loja do Brasil foi criada em 1956, ela ocupou inicialmente dois locais alugados na cidade do Rio de Janeiro. Porém, em 1958, recebeu dois terrenos em Curitiba, no bairro Bacacheri, um da família Colle e outro da Suprema Grande Loja. Assim, neste ano iniciava-se a construção do prédio que deveria abrigar a sede administrativa da Grande Loja do Brasil. (...)"

(Legenda de fotografia - referente a uma exposição no II andar - que conta a história da AMORC no Brasil).

Já publiquei no blog o que eu sabia a respeito desse assunto. Há muitos anos, ouvi na rádio a notícia de que uma senhora havia falecido e deixado uma propriedade no bairro Bacacheri à AMORC. 
Até então, nunca havia conseguido encontrar comprovação dessa notícia.

Abaixo, publico os links de outras publicações envolvendo a Rosa Cruz:

Bosque da Rosa Cruz

Museu Egípcio e Rosacruz - Exposição Fotográfica: Édith Piaf 


Museu Egípcio e Rosacruz - Exposição: 
"Os Maias: civilização e cultura na América pré-colombiana" - http://familiapetroski.blogspot.com.br/2015/07/museu-egipcio-e-rosacruz-exposicao-os.html

Estela do faraó Djet

Proveniência: Abidos - Egito
Período: Dinástico Arcaico - I Dinastia - 2920 - 2770 a.C.
a original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França.


Djet é também conhecido como Rei Serpente, graças ao hieróglifo presente em seu nome. Devido à escassez de fontes a respeito do período e sobre esse faraó, um dos únicos documentos de destaque é esta estela que traz o hieróglifo da cobra, que é o próprio nome do rei.

Uma moldura na forma da fachada de um palácio, chamada Serekh, protege o nome real - este deu origem aos cartuchos reais, assim como a imagem do falcão, representação do deus Hórus.
(Detalhe).

A palavra estela provém do termo grego stela, que significa "pedra erguida" ou "alçada". A palavra entrou no uso comum da arquitectura e da arqueologia para designar objectos em pedra individuais, ou seja, monolíticos, nos quais eram efectuadas esculturas em relevo ou textos. A sua função essencial era veicular um determinado significado simbólico, fosse este funerário, mágico-religioso, territorial, político ou propagandístico, etc.
Wikipédia.
***
A origem da escrita para o egípcios
(transcrito de cartaz)

"Constituídos de narrativas relacionadas às divindades, os mitos foram essenciais para os antigos egípcios. Através da mitologia, eles explicavam vários aspectos de sua vida e morte.

Um dos mitos mais importantes e que norteou um dos elementos mais expressivos entre os egípcios foi o mito da criação da escrita. Segundo a crença dessa antiga civilização, a escrita hieroglífica teria sido dada de presente aos egípcios pelos deus Toth.

Associado à escrita e ao conhecimento, era o deus da sabedoria, representado na forma de um pássaro íbis com o bico curvado - por conta do alto grau de atenção.

Também há outro mito que fala sobre Seshat, a deusa padroeira das bibliotecas e arquivos.

Nessa mitologia, a divindade criou a escrita hieroglífica, mas a tarefa de ensinar as pessoas ficou com Toth.

Seshat era descrita como a escriba dos faraós, aquela que anotava os acontecimentos e triunfos dos soberanos egípcios. Um de seus títulos era Senhora da Casa dos Livros, pois era ela quem cuidava da biblioteca divina.

Entretanto, nenhum templo fora construído para ela, pelo menos não foi localizado. Diversas vezes é mencionada em templos que remontam à IV Dinastia (2575 - 2465 a.C.), isso porque com o passar do  tempo, Toth e Seshat passaram a ter o mesmo sacerdócio.

Apesar dessas concepções religiosas dos egípcios acerca da constituição da escrita hieroglífica, na história podemos encontrar o surgimento dos primeiros hieróglifos, seu desenvolvimento e evolução até o momento em que deixa de ser usada. Os primeiros hieróglifos, designados como "Petróglifos", foram encontrados no Templo de Kalabsha, ao sul de Assuã, e no Wadi-Hammamat, próximo à Luxor. São bastante rústicos, mas lembram alguns dos hieróglifos mais conhecidos. Datam do IV milênio a.C.

Os últimos hieróglifos foram gravados no templo de Ísis, na ilha de Philae, no Alto Egito, cerca de 395 d.C. Nessa época, muito do que um dia foi a escrita hieroglífica já havia se perdido. A língua falada e escrita havia se transformado no copta, uma mistura de egípcio antigo com o grego. Porém, com as profundas mudanças políticas e religiosas daquela região, a língua oficial passou a ser o árabe que predominou a partir do primeiro milênio de nossa era, permanecendo ainda hoje e fazendo parte da vida dos atuais egípcios."

 OS HIERÓGLIFOS

A escrita antiga era formada por inúmeros sinais representado o homem e suas ações, plantas, animais, objetos, etc. Combinavam-se sinais com valores fonéticos e ideográficos para se formarem as palavras. Os artistas muitas vezes pintavam os detalhes da imagem usada como sinal de escrita.

* cena representando o nobre Upemnefert diante de uma mesa com listas de oferendas;
IV dinastia; aproximadamente 2450 a.C., original no Hearst Museum, Berkley, USA.


(À direita)
Os artistas costumavam, em alguns casos, detalhar de forma exagerada os símbolos da escrita hieroglífica, conforme vemos nas incrustações do ataúde de Djedthotefanch, conservado no Museu Egípcio de Turim. 

Já à direita, temos uma forma simplificada de desenhar os mesmos símbolos.
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A diversidade do pensamento egípcio
(transcrito de cartaz)
No início do Período Dinástico Arcaico (2920 - 2575 a.C.) um dos primeiros faraós, chamado Narmer (c. 2920 a.C.) estabeleceu a primeira capital do Egito em Memphis. Esse soberano precisava estabilizar a unificação do Alto e do Baixo Egito. Assim, Memphis fora escolhida justamente por ser  a ligação entre as Duas Terras. Essa união não poderia ser apenas geográfica, precisava também ser religiosa, pois os deuses eram símbolo dessa legitimação.

A divindade escolhida para este fim foi Ptah, que possuía as propriedades dos deuses primordiais de outras cidades (Hermópolis e Heliópolis). Nesse sentido, Num e Naunet, Huhn e Hauhet, Kuk e Kauket e  Amon e Amonet, constituintes do Oceano Caótico e que criaram Ra através da Colina Primordial Benben, foram concebidos pelo próprio Ptah. Essa explicação vem da Estela de Shabaka (711 - 697 a.C.). Na estela, Ptah é mencionado como o deus que une as Duas Terras, que se auto gerou e originou nove divindades. Esses deuses eram Ra, Shu, Tefnut, Geb, Nut, Osíris, Ísis, Seth e Néftis. Todos deuses de Heliópolis.

Outro mito relacionado à criação, faz referência ao deus Khnum. Gravado no templo de Esna, o Grande Hino a Khnum demonstra, na primeira parte, a criação dos corpos através dessa divindade, tanto dos deuses quanto dos humanos e animais. Além disso, acreditavam também que os órgãos e funções vitais, como a respiração, a alimentação e a fala foram dadas por Khnum. Na segunda parte, a ideia da criação de tudo prevalece, porém, com os seres agradecendo ao momento da concepção. Na terceira parte, esse deus é associado à outras divindades e locais específicos. Então, notamos que na cidade de Elefantina era considerado o Ba de Ra, na cidade de Iunyt era o Ba de Shu e na localidade de Shas-hotep era o Ba de Osíris. O Ba é parte da "alma" para os antigos egípcios.

O culto ao deus Khnum vinha de tempos pré-dinásticos (5500-3050 a.C.), no qual era associado à água, tanto do Nilo como do mundo dos deuses. Era, portanto, o deus que assegurava a inundação e a fertilização das margens do rio. Com isso, pode ser relacionado com o lodo - tão necessário para a produção dos potes e vasos - e até mesmo no seu nome observa-se o símbolo de um jarro.

Em diversas representações Khnum é mostrado em frente a um forno (mesa de artesão), o qual modela tanto o corpo da pessoa quanto o ka dela - o ka é outra parte da alma para os antigos egípcios. Junto com Heget, a deusa com cabeça de sapo, é o deus que dá a vida através da respiração. Essa crença pode ser vista nas cenas do Nascimento Divino da rainha-faraó Hatshepsut  (1473-1458) e também está descrita no Papiro Westcar, no conto do faraó Khufu e os magos.

No primeiro, Hatshepsut recebe a respiração das divindades e no segundo Heqet e Khnum assistem e auxiliam o parto de três futuros reis, presenteando-nos com a respiração ao final.

Apesar desses mitos terem sidos criados ainda no período Pré-Dinástico, permaneceram durante quase toda a história dos antigos egípcios, muitas vezes sendo alterados ao longo do tempo.

Deuses eram criados, possuíam nomes e significados, mas sempre eram modificados de acordo com as necessidades religiosas daquele povo. Pode-se dizer que a religião egípcia não era definitiva e estagnada e estava em constante processo de mudança.

 Paleta de Narmer
Proveniência: Hieracômpolis - Egito
Período: Dinástico Arcaico - I Dinastia - 2920 - 2770 a.C.
A original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Esta placa pode representar a transição do período pré-dinástico para o dinástico egípcio. Nesta lado da paleta, Narmer é representado com a coroa do Alto Egito massacrando seu inimigo (Wash). Do lado esquerdo está o carregador de sandálias, seu nome é Unren. O falcão do lado oposto significa a captura de seis mil prisioneiros. No registro inferior, os inimigos caídos simbolizam duas cidades conquistadas.
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A função do texto mitológico do Egito Antigo
(transcrito de cartaz)

"Os egípcios antigos, bem como outros povos, explicavam o mundo através de cosmogonias. Ao observarmos o desenvolvimento da sociedade egípcia antiga, podemos compreender que o mito surgiu pela necessidade da explicação do mundo em geral. Nesse contexto, as mitologias do Egito Antigo também possuíam três funções: explicar, organizar e compensar.

O texto mitológico apresenta uma narrativa sempre no passado, por exemplo, no início do cosmos os deuses primordiais estavam juntos nas chamadas águas caóticas, o Num, que possuía as propriedades de tudo o que viria a existir. Dessa mistura, surgiu o primeiro pedaço de terra, chamado de Benben, do qual nasceu Ra, o deus Sol.

Além do aspecto cosmológico, o mito também servia para explicar e estabelecer relações,  instituições, rituais, reivindicações familiares e orientações éticas. No Egito Antigo encontramos diversos tópicos mitológicos. Podemos citar a relação da obediência da população comum para com o faraó, e até mesmo a própria legitimação do soberano no trono do Egito.

A mitologia explicava que Osíris ficara com o trono egípcio, também chamado de "Trono das Duas  Terras", no lugar de Ra, porém acabou despertando a inveja de seu irmão mais novo, Seth, que o assassinou para usurpar as coroas do Egito.

Este mito, em específico, ainda conta como Osíris fora trazido de volta à vida por poucos instantes e concebeu Hórus, seu filho, junto com a deusa Ísis. Ao crescer, Hórus lutou contra Seth, obtendo as coroas que pertenciam ao seu pai, Osíris. Assim, todo o faraó era filho de Hórus ou o próprio Hórus reencarnado e por isso, era o próprio deus.

A compensação também aparece nesse resumo do mito acerca do poder faraônico. No momento em que Hórus recupera as coroas que pertenciam ao seu pai, há a indicação de que o erro, ou seja, a quebra da linhagem legítima fora restaurada. Outro ponto também é a relação entre a recuperação da vida de Osíris através da mumificação realizada por Anúbis.

Com a volta à vida, Osíris não poderia permanecer na terra viajando, portanto ao paraíso agrário, tornando-se rei do outro mundo e juiz dos mortos na sala das duas verdades - o tribunal de Osíris.

A compensação para o egípcio antigo era a sua estadia junto a esse deus após a sua morte. Como podemos observar, esses mitos serviam para explicar, legitimar ou organizar e compensar o mundo

daquela antiga civilização, transmitindo a interpretação que possuíam da sua realidade."

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Ostracon com escrita hierática

Período Reino Novo: 1550 - 1070 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Além da escritura hieroglífica, os egípcios também desenvolveram outras formas de grafia. A escrita hierática, uma simplificação dos hieróglifos, é presente neste pequeno ostracon - um fragmento de pedra calcária utilizada como suporte tanto para escrita quanto para pequenos desenhos e pinturas.

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Ostraca

Óstraco ou óstracon é um fragmento de cerâmica, normalmente quebrado de um vaso. Em arqueologia, os óstracos contêm por vezes palavras ou outras formas de escrita gravadas que podem se constituir em indícios da época em que a peça era usada. ...
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ostraca
 Busto do faraó Akhenaton

Proveniência: Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Akhenaton transferiu a sua capital de Tebas para Amarna e trocou o culto politeísta pelo monoteísta a partir do quinto ano de seu reinado,adorando apenas o deus Aton. Esta estátua, entretanto, não é do período amarnianiano, ela é anterior. Podemos identificar isto por conta da forma com que fora esculpita - é uma estátua inteira, apesar de inacabada - e o faraó utiliza os símbolos de poder comuns aos antepassados, como por exemplo, o cetro, o mangal, a coroa unificada e a serpente Uraeus na coroa, deusa protetora do Baixo Egito.

Aquenáton:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Aquen%C3%A1ton
 Estela casal real de Amarna

Proveniência: Tell el-Amarna - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio de Berlim - Berlim - Alemanha

Nesta cena, o faraó Akhenaton dá atenção apenas a sua parceira. O rei usa uma peruca curta com a serpente Uraeus na esta, um colar largo e um saiote plissado, enquanto a rainha Nefertiti usa um vestido praticamente transparente com um belo peitoral florado. Ela oferece graciosamente um buquê de flores ao faraó. Esta cena demonstra a família real em atividades cotidianas, uma característica específica da arte do período amarniano que a difere dos estilos egípcios  anteriores.
 Busto da rainha Nefertiti

Proveniência: Tell el-Amarna - Egito
Período: Amarniano - XVIII Dinastia - 1353 - 1335 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio - Berlim - Alemanha

Nefertiti, cujo nome significa "a bela chegou", foi a principal rainha no governo de um dos períodos mais agitados da história egípcia, devido à revolução religiosa idealizada por seu marido, o faraó Akhenaton.

Este busto foi encontrado em 1912 por uma expedição alemã no ateliê do escultor Tothmés junto com outras representações da família real amarniana. Acredita-se que seria um modelo para
outras esculturas da rainha.

Nefertiti:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nefertiti
Estela de Paser

Proveniência: Luxor - Egito
Período: Reino Novo - 1550 - 1070 a.C.
A original encontra-se no Museu Britânico - Londres - Grã-Bretanha

Esta estela mortuária pertencia ao superintendente dos construtores, conhecido como Paser.

Ele aparece no registro superior, acompanhado de seu irmão que traz o título de Escriba Real.

Ambos estão em posição de adoração aos deuses que estão representados à esquerda: Osíris, Isis e Hathor, representada como uma vaca. A inscrição principal, disposta em cinco linhas no centro
da peça é a tradicional fórmula de oferendas que garantia ao morto provisões de alimentos no outro mundo.
 Cena do julgamento 
(Livro dos Mortos de Hunefer)

Proveniência: Tebas Ocidental - Egito
Período: Reino Novo - XIX Dinastia - 1307 - 1196 a.c.
O original encontra-se no Museu Britânico - Londres - Grã-Bretanha

Esta cena integra o Livro dos Mortos do escriba Hunefer e representa o encantamento 125, o julgamento pelo qual os mortos deveriam passar, a fim de que pudessem ingressar no reino do deus
Osíris. Acreditava-se que em uma balança, o coração do morto, representando suas boas e más ações, teria que ser colocado e, posteriormente, confrontado com uma pena - símbolo da verdade.
Caso o peso do coração fosse igual ao da pena, Hunefer, o falecido, teria demonstrado que em vida havia seguido a ordem, fato que lhe conferiria a vida eterna.

Entretanto, se ocorresse a situação inversa, ou seja, se o seu coração fosse mais pesado que a pluma, a deusa Amit, um monstro com cabeça de crocodilo, o comeria, e ele deixaria de existir.

O julgamento era presidido pelo deus Osíris. O morto chegava acompanhado pelos deuses Apauet, Toth e Hórus, que supervionavam o julgamento. Á esquerda, haveriam 42 deuses relacionados às 42 atitudes que o morto deveria demonstrar que não cometeu, tais como: não cometer injustiça, roubo, ser  ganancioso, ou seja, provar que não agiu contra a Ordem estabelecida pelos deuses.

Esse encantamento 125 do Livro dos Mortos tinha a função de ajudar o falecido nesse momento, na Sala das Duas Verdades.

Hunefer:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hunefer
 Múmia do faraó Tothmés IV

Proveniência: Vale dos Reis - Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Terceiro na linha de sucessão de seu pai, o faraó Amenhotep II, precisou que os sacerdotes tebanos do deus Amon elaborassem, após a morte de seus dois irmãos mais velhos, uma série de predições do oráculo por meio das quais foi legitimado faraó. Porém, segundo uma lenda, Tothmés IV devia o trono à Esfinge de Gizé. Um dia, enquanto caçava, sentou-se entre as patas da esfinge, que na época encontrava-se semienterrada na areia do deserto, e
adormeceu. Foi quando teve um sonho em que a esfinge em troca de ser desenterrada o recompensaria com o trono do Egito. Assim fez Totmés IV, que mandou colocar no local onde havia tido o sonho uma estela relatando o fato, que por sua vez permanece ainda hoje no lugar. A múmia de Tothmés IV apresenta sinais de ter sido embalsamada às pressas, tem os braços dobrados sobre o peito e as unhas bem cuidadas, as orelhas têm furos abertos que indicam o uso de brincos.

Tothmés IV foi enterrado no Vale dos Reis, na tumba KV43 mas, anos mais tarde, seu corpo foi levado para a tumba KV35, onde foi descoberto pelo inspetor de antiguidades, Victor Loret, em 1898. Estava na tumba de seu pai, Amenhotep II, na companhia de outras oito múmias reais. O ataúde não pertence à esta múmia - seu túmulo foi saqueado ainda na antiguidade - mas à outra: do sacerdote Hor da XXII Dinastia (945 - 712 a.C.).

Tutmés IV:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tutm%C3%A9s_IV
 Retrato de Jean-François Champollion

Autor: Léon Cogniet (1794 - 1880)
Período Moderno - 1831
O original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França.

Jean-François Champollion nasceu em 23 de dezembro de 1790, em Gigeac, na França e morreu em 4 de março de 1832, em Paris. Foi o egiptólogo responsável pela decifração da Pedra de Roseta, em 1822, fato que permitiu a compreensão do sistema de escrita utilizado pelos antigos egípcios.

Apreciador de conhecimentos arqueológicos e linguísticos, direcionou seus estudos desde muito cedo nessa direção, tendo obtido notoriedade após a decifração nos âmbitos políticos e intelectuais da França e da Europa do Século XIX. 
(Detalhe).

Jean-François Champollion

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Fran%C3%A7ois_Champollion



 Pedra de Roseta

Proveniência: El-Rashid - Egito
Período: Ptolomaico - 205 - 180 a.C.
O original encontra-se no Museu Britânico - Londres - Grã-Bretanha.

A Pedra de Roseta foi encontrada em El-Rashid, no delta do rio Nilo, em 1799, pela expedição napoleônica ao Egito, chefiada por Pierre Bouchard. Trata-se de parte de uma estela egípcia feita em granodiorito com a face polida. A inscrição contida na Pedra de Roseta é um decreto egípcio aprovado por um conselho de sacerdotes, com informações do reinado do faraó Ptolomeu V quando no aniversário de sua coroação. As inscrições estão divididas em três blocos de texto, sendo 14 linhas em hieróglifos, 32 linhas em demótico e 53 linhas em grego.

O mesmo texto em três escritas diferentes permitiu, por meio de comparação e estudo aprofundado, a comprensão do funcionamento do sistema de escrita egípcio. Várias cópias litografadas da Pedra circularam entre intelectuais europeus na tentativa de dar cabo ao trabalho de decifração porém, apenas em 1822, Jean-François Champollion, que possuía vasto conhecimento de línguas orientais e antigas, conseguiu apresentar os resultados de seu estudo e explicar o funcionamento dos hieróglifos.

Ainda que tenha sido encontrada e decifrada pelos franceses, a Pedra de Roseta está em poder dos britânicos desde 1801, por conta da sua vitória na disputa contra os franceses em território egípcio, e encontra-se exposta atualmente no Museu Britânico, em Londres.

(Essa pedra é grande. Cerca de um metro de altura).

Pedra de Roseta:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_de_Roseta

Barco funerário 

Período: Reino Médio - XII Dinastia - 1991 - 1783 a.C.
O original encontra-se no Museu Britânico - Londres - Grã-Bretanha.

Este modelo de barco exibe o transporte de uma múmia em peregrinação à cidade de Abidos.

O local era o centro de culto a Osíris, divindade que, segundo a mitologia, teria voltado à vida após ter sido mumificada. Todos os egípcios esperavam que sua múmia pudesse seguir o exemplo de Osíris. Como muitos indivíduos não teriam condições de efetuar a referida viagem, modelos deste tipo eram colocados nas tumbas para simbolizar o acesso do morto à cidade sagrada. As mulheres que acompanhavam a múmia representam as deusas Ísis e Néftis, que também acompanharam Osíris.

Osíris:
*
Estátua de um escriba desconhecido

Proveniência: Sakara - Egito
Período: Reino Antigo - V Dinastia - 2465 - 2323 a.C.
A original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo Egito.

Na sociedade egípcia, a figura do escriba era considerada importante, pois era responsável pela administração, coleta de impostos e toda a elaboração de textos. Mas "escriba" não era propriamente uma profissão, era um título. Dessa forma, há diversos funcionários, como sacerdotes ou artesãos com essa titulação. O escriba representado nessa escultura de pedra calcária pintada é um personagem cujo nome não foi registrado.

 Vaso com tampo de leoa do faraó 
Tutankhamon

Proveniência: tumba de Tutankhamon - Vale dos Reis - Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito

Este vaso feito em alabastro, foi localizado com vários outros tesouros na tumba do faraó Tutankhamon em 1922 por Howard Carter. Nele, vemos cenas de caça, na qual leões e chacais atacam animais selvagens. As quatro cabeças nos pés do vaso representam os inimigos dos egípcios, como os núbios e os asiáticos. Nas laterais, existem dois puxadores em formato de coluna de flor de lótus. Porém, o que sobressai na própria peça é a leoa no tampo, que está em posição de descanso e com a língua para fora.

 Estátua do faraó Tothmés III fazendo 
oferendas


Proveniência: Der el-Bahari - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1070 a.C.
A original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Esta estatueta de mármore representa o rei Tothmés III ajoelhado, ofertando dois vasos globulares, chamados nu, aos deuses. O faraó usa o turbante real nemes, com a serpente Uraeus sobre a fronte e o saiote Shendyt decorado através de incisões. Considerado um deus vivo, o faraó era a ligação entre os deuses e os homens.
 Estátua do deus Osíris

Período: Tardio - 525 - 332 a.C.
A original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França.

Segundo o mito da criação de Heliópolis, Osíris foi criado a partir da união entre Geb (deus da terra) e Nut (deusa do céu) e estava ligado à vegetação e fertilidade. Após o Reino Médio, ao observar características de outra divindade mais antiga chamada Khentyamentiu, tornou-se o "senhor da eternidade", sendo governante do mundo Duat. Os egípcios tinham a crença de que este deus garantiria a vida eterna aos seus seguidores. Era juiz no tribunal dos mortos concedendo vida eterna àqueles que merecessem.

 Estatueta da deusa Ísis amamentando 
o deus Hórus

Período Ptolomaico: 204 - 30 a.C.

Ísis e Hórus, juntamente com Osíris, formavam uma das principais tríades religiosas do Egito Antigo. Ísis era a personificação da mulher e mãe perfeita, além de ser a senhora da magia.

Nesta imagem, confeccionada em bronze, a deusa é representada como uma mulher com um hieróglifo em forma de trono sobre a cabeça.  Representando o ato de amamentação, no seu colo está a imagem do deus Hórus, ainda criança, com apenas uma mecha de cabelo (sinal de infância), no lado direito de sua cabeça.
 Estátua do sacerdote Tenti e sua esposa

Período: Reino antigo - V Dinastia - 2465 - 2323 a.C.
A original encontra-se no Museu Egípcio - Berlim - Alemanha.

A escultura de Tenti, um sacerdote funerário - cujo título na base da estátua identifica-o como "servo do Ka", junto de sua esposa, Imeretef, é um exemplo típico da arte desse período.

A imagem dos dois é idealizada, e o que está representado não são suas feições pessoais, mas um estereótipo do ideal de homem e mulher egípcios. Outra característica dessa arte é a jovialidade das figuras, pois acreditava-se que o indivíduo teria essa aparência por toda a eternidade.
 Malho

(alto, à esquerda)
Período: Reino Antigo - 2575 - 2134 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio - Turim - Itália

O malho, ou martelo, era uma peça essencial na carpintaria e nas construções feitas pelos antigos egípcios, tais como templos e tumbas. Com o malho, os carpinteiros golpeavam o cinzel para fazer aberturas e encaixes em peças de madeira, que posteriormente se tornariam, por exemplo, partes ou peças de mobiliário. Do mesmo modo, o malho era manejado por construtores e escultores, que davam forma à pedra ou a outros materiais nas esculturas.

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Prumo de Sennedjem

(alto, à direita)
Proveniência: Tumba de Sennedjem - Deir el-Medina - Egito
Período: Reino Novo - XIX Dinastia - 1307 - 1196 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

O prumo é um objeto de medida, que detecta a vertical e a eleva a um ponto pré-estabelecido.
No Egito Antigo, era um objeto importante no ofício do arquiteto e do artesão. Esta peça pertenceu a Sennedjem, que foi um importante artesão da XIX dinastia. Era responsabilidade dele a escavação e a decoração dos túmulos reais. Sua tumba foi encontrada quase intacta no ano de 1886, onde estavam diversos objetos de seu cotidiano, como uma cama e uma cadeira, além do corpo de sua esposa, Ly-Nefertiti.

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Côvado de Maya

(inferior esquerdo)
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
A original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França

Maya foi um tesoureiro real durante os governos dos faraós Tutankhamon e Horamheb e possuía o título de supervisor de obras. Esta é uma régua graduada encontrada em sua tumba. Ela indica a unidade de comprimento utilizada pelos egípcios e suas subdivisões.

Seu comprimento equivale a 52,3 centímetros e é dividida em 28 unidades, denominadas "dedos", cada uma com 1,8 centímetros. Cada subdivisão era protegida por uma divindade. Os "dedos" eram reagrupados em "palmos" que corresponderiam a 4 dedos, ou 7,47 centímetros.

Fazendo a equivalência para polegada, teríamos:
1 dedo = 1,8 cm
1 polegada = 2,54 cm
4 dedos = 7,47 cm
4 polegadas = 10,16 cm
(O "palmo", unidade de medida ainda utilizado na terra do patrão, mede 9 polegadas ou 22,86 cm. 
Mede-se com a mão toda aberta, do dedo polegar ao dedo mínimo).

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Cinzel da tumba de Kha

Proveniência: Tumba de Kha e Merit - Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio - Turim - Itália

Este cinzel pertenceu a um arquiteto real chamado Kha que em vida serviu aos faraós: Amenhotep II, Tothmés IV e Amenhotep III. A peça foi principalmente utilizada por ele, da mesma forma que exemplares semelhantes foram empregados por pedreiros e construtores da Deir el-Medina. Os cinzéis de bronze serviam para fazer talhes e orifícios, além de serem amplamente utilizados na abertura das câmaras das tumbas escavadas na rocha das necrópoles tebanas.

 Máscara funerária do faraó Tutankhamon

Proveniência: Tumba de Tutankhamon - Vale dos Reis - Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

As incrustações são de lápis-lazúli, cornalina, quartzo, turquesa, obsidiana e pasta de vidro.
O faraó usa o "Nemes" listrado de azul. Na fronte, o abutre "Nekhbet" e a serpente "Wadjet".
A barba cerimonial era atributo da realeza. Na parte de trás, há uma inscrição mágica para proteger as diferentes partes da máscara, que se identifica com divindades específicas:
"tua testa é Anúbis. teu olho direito é o barco da noite (do deus sol Ra); teu olho  esquerdo é o barco do dia; tuas sobrancelhas são a companhia de nove deuses..."


Tampa do ataúde de Bapun

Período: Terceiro Intermediário - XXI Dinastia - 1070 - 945 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio - Turim - Itália.

Os antigos egípcios costumavam guardar os corpos mumificados em ataúdes (caixões) decorados com imagens de deuses protetores e orações inscritas em hieróglifos. Esta peça é um exemplo típico. Feita para a múmia Bapun, egípcio que atuava como sacerdote no templo de Amon em Karnak, em meados da XXI Dinastia (cerca de 1000 a.C.). O personagem aparece com o rosto de uma pessoa viva - a ideia da ressurreição. Suas mãos entrecruzam-se sobre o peito, com os punhos fechado, pose comum nesse tipo de artefato. O peito é marcado pela representação de um grande colar de contas. Na altura do ventre, vê-se uma imagem de Nut, a deusa do céu, mostrada como uma mulher com asas. Abaixo dela, seguem-se colunas de hieróglifos, com textos que pedem sua proteção.
À esquerda, há uma figura de Osíris, o deus que governava o mundo além-túmulo, como um homem com pele de cor verde portando uma coroa alongada e ladeada de plumas - a coroa de nome Atef.
Na direita está Ra, o deu do sol, figurado como homem com cabeça de falcão, sobre a qual usa um disco de sol com uma serpente. Imagens de Hórus, o deus com cabeça de falcão, posicionam-se logo abaixo.

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Múmia de Ankh-Hapy

Período Ptolomaico - 332 - 30a.C.
A original encontra-se no Museu Roemer-Pelizaeus - Hildesheim - Alemanha

Durante o período do qual data esta múmia, era costume recobrir o corpo mumificado com bandagens de linho embebidas em gesso, técnica conhecida como cartonagem. O rosto é coberto com uma máscara funerária que retrata o morto em aspecto de vida. O alto da máscara traz uma imagem de um  escaravelho com um disco do sol, símbolo de ressurreição.

O tórax é coberto com uma longa placa de cartonagem retratando um colar feito de contas de faiança. tendo acima um escaravelho alado. A placa central mostra Nut, deusa do céu, como uma divindade alada, segurando penas (símbolos da verdade) e portando um disco solar sobre a cabeça. A placa inferior traz representações de várias divindades: no centro está o deus Anúbis, com cabeça de chacal, cuidando da múmia que está deitada num leito em forma de corpo de leão; de cada lado da múmia posicionam-se as deusas Ísis (dir.) e Néftis (esq.); na extrema direita está Anúbis; na extrema esquerda, Anúbis e, atrás dele, o morto.
(Tem erro nessa parte final do texto. Anúbis ou está na extrema esquerda ou na extrema direita).

 Cálice do faraó Akhenaton

Proveniência: Luxor - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Metropolitano de Arte - Nova Iorque - EUA.

Esta taça feita em alabastro egípcio tem o formato de uma flor de lótus. Data do início do reinado de Akhenaton, conforme a titularia que se encontra na sua parte frontal. Há o nome  pessoal do faraó, Amenhotep e seu nome de trono, Neferkheperura Waenra. No terceiro cartucho aparece o nome da Grande Esposa, a rainha Nefertiti. Esta peça pode ter sido confeccionada antes do 5.º ano de reinado do faraó, pois foi quando trocou o culto politeísta pelo monoteísta, mudando seu nome para Akhenaton.
 Estátua do faraó Kasekhemuy

Período: Dinástico Arcaico - II Dinastia - 2770 - 2649 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Khasekhemuy, cujo nome significa os dois poderes (Hórus e Set) surgem, foi o último faraó da II Dinastia do Egito. Ele é, em geral colocado como sucessor de Peribsen, mas alguns egiptólogos acreditam que outro faraó, Khasekhem governou entre eles. É único, na história do Egito, por ter os símbolos de Hórus e de Set no seu serekh, antiga forma de cartucho dom o nome do faraó. Alguns egiptólogos acreditam que esta foi uma tentativa de unificar as duas facções, mas depois da sua morte, Set foi excluído permanentemente do serekh.

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Selo cilíndrico do faraó Miquerinos

Proveniência: Necrópole de Gisé - Egito
Período: Reino Antigo - IV Dinastia - 2575 - 2134 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito

Nas correspondências, principalmente em documentos oficiais, os egípcios empregaram uma espécia de impressão em argila, feita com um selo, para lacrá-la. A peça aqui mostrada é um selo-cilíndrico, bastante raro no Egito, que foi certamente utilizado nos documentos produzidos por ordem do faraó Miquerinos.


 Busto da deusa Bastet

Bastet geralmente aparece como uma deusa gata. Originalmente, era retratada como uma pessoa com cabeça de leoa ou um gato do deserto, nos períodos anteriores ao Novo Império, quando foi associada com o gato domesticado. Entretanto, mesmo após essa mudança no seu aspecto artístico, continuou possuindo caráter belicoso. Ela personificava também a brincadeira, a graça, a afeição e a delicadeza que os gatos possuem porém, também, a força do leão. Esta divindade era adorada em todo o Baixo Egito, mas seu culto foi centralizado em Bubastis, que foi a capital do Antigo Egito por algum tempo durante o Período Tardio, por isso, certo número de faraós incluíram o título da divindade ao seu nome de trono.
Estatueta do deus Montu

Período Tardio - 664 - 525 a.C.
O original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França

Montu, divindade da guerra, era representado por um homem com cabeça de falcão, com uma coroa formada por duas longas plumas e o disco do sol. As duas serpentes representam o Alto e o Baixo Egito. O deus traz na mão um hopesh, ou cimitarra egípcia. A partir do Reino Médio, Montu foi associado com os faraós, assim, diversos reis tinham seu nome de trono sendo Montuhotep, ou seja "Montu está satisfeito". Nesta peça pode-se observar também os símbolos solares, o falcão e o sol representam a conexão com o deus criador, Ra.

Deuses criadores do mundo

Como outros povos, os antigos egípcios também tinham suas versões para explicar a criação do mundo, inspiradas nos deuses padroeiros de algumas cidades egípcias. Acima, vemos o  deus Ptha, relacionado às construções e oriundo da cidade de Mênfis; Ra, o deus sol de Heliópolis, e Amon-Ra, oriundo de Tebas, a moderna Luxor, associado a duas divindades importantes, Amon e Ra. 

Nas suas representações ele aparece como um homem portando uma coroa com duas plumas, entre eles um disco solar, pois esse deus era associado ao vento e aos poderes construtivos do sol.
Estátua do deus Khonsu

O original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França

Khonsu era o deus lunar pertencente à tríade tebana como filho de Amon e Mut. Ele é o "errante", representado como um homem coroado com o disco solar encimado pelo crescente lunar. Na mitologia de Heliópolis, aparece junto a Toth, deus da sabedoria, em um jogo de Senet, no qual perde e oferece, como tributo, cinco noites de sua lua.

Estas são dadas para Nut, deusa do céu, para que pudesse se unir com seu amado, Geb, deus da Terra, originando os quatro filhos que dariam origem à família real: Osíris, Ísis, Néftis e Seth.


Modelo de escudo, aljava e flechas

Proveniência: Asyut - Egito
Período: Reino Médio - XII Dinastia - 1991 - 1786 a.C.
O original encontra-se no Museu Metropolitano de Arte - Nova Iorque - EUA

Este conjunto é composto por escudo e flechas devidamente guardadas em um estojo de couro, conhecido como aljava. O aqui mostrado trata-se apenas de modelo, pois foi encontrado em um ambiente mortuário, servindo para dar proteção ao morto na vida além-túmulo.

Os escudos originais, usados em guerras, eram confeccionados de uma armação de madeira ou metal, revestida com couro de animal, e as flechas apresentavam pontas metálicas para maior eficiência ao se atingir os inimigos.
Estatueta da deusa Maat sentada

Período: Tardio - XXVII Dinastia - 525 - 404 a.C.
O original encontra-se no Museu de Arte do Brooklin - Nova Iorque - EUA.

Divindade que representava a verdade e a justiça. Aparece como uma mulher portando uma pena na cabeça. Na mitologia egípcia era considerada filha de Ra, o deus sol. A imagem, originalmente em bronze, foi feita para um santuário, de modo que pudesse ser motivo de culto e adoração.

No pedestal, aparecem as serpentes protetoras do sul e do norte, além do símbolo da deusa Háthor.

 A educação através das instruções

Apesar dos textos mais conhecidos dos egípcios antigos estarem relacionados com a religiosidade, como por exemplo, o "Livro dos Mortos", essas não eram as únicas produções literárias desse povo.
Desde o Reino Antigo (2575 - 2134 a.C.) encontramos as chamadas "Instruções" ou "Ensinamentos", que são discursos ou discussões entre pais e filhos, ou ainda, de um governante para seu subordinado ou futuro substituto.

Um dos textos mais conhecido é "A sátira das profissões", escrito possivelmente, durante a XII  Dinastia (1991 - 1783 a.C.), e encontrado completo no papiro Sallier II e fragmentado em outros, embora os trechos remanescentes mais antigos datem da XVIII Dinastia (1550 - 1307 a.C.).

O texto relata a conversa de um pais que acompanha seu filho para a escola de escribas da corte, onde seria educado. Durante o trajeto o pai compara e satiriza diversos trabalhos com o ofício do escriba a fim de convencê-lo de que esta era a melhor carreira a seguir.

Um outro texto, também escrito durante a XII Dinastia, mas que remete à V Dinastia (2465 - 2323 a.C.), trata de um pai que discursava para seu filho que deve sucedê-lo como vizir. O texto chamado de "Ensinamentos de Ptha-Hotep" é, na verdade, um ensaio voltado para homens públicos de altos cargos como supervisores, magistrados e juízes.

O texto conhecido como as "Instruções de Ani", possivelmente produzido durante a XVIII Dinastia, além de contar com informações semelhantes às comentadas acima, demonstra a evolução da sociedade daquele momento. Trata-se de um debate entre pai e filho, no qual os ensinamentos são questionados, recebidos com certa dificuldade e obedecidos de maneira frágil. Assim, no desenrolar do texto, o pai acaba criando formas didáticas para ensinar seu filho.

Nas instruções organizadas pelo governante para seu substituto ou filho, podemos citar a narrativa "O Camponês Eloquente", produzido durante o Reino Médio (2040 - 1640 a.C.) e preservada em quatro papiros. Como recurso literário foi utilizada a figura de um camponês que, ao ser roubado, se queixa com um alto funcionários. Na realidade, o texto faz críticas à sociedade, questiona e moraliza ideologias egípcias, estabelecendo que Maat, deusa que personifica a justiça e a verdade é imutável. Outro texto, nesse mesmo sentido, chama-se "Instruções de Kagemni". O escrito data do reinado do faraó Snéfru (2575 - 2551 a.C.) e trata principalmente do comportamento que Kagemni, como vizir do rei, deveria ter perante a população. Porém, apenas duas páginas foram recuperadas junto com um papiro contendo o texto das "Instruções de Ptha-Hotep".

Como podemos observar, muitos dos textos que chegaram aos nossos dias são posteriores ao seu período original, isso porque nas escolas de escribas era muito comum, durante o ensino, que o professor ditasse textos ou fizesse cópias com seus alunos. Assim, apesar dos originais serem feitos em papiros, as cópias em sua grande maioria, foram produzidas em ostraca que eram mais fáceis de serem encontradas, já que existiam em abundância no território egípcio.

São fontes para que possamos compreender o funcionamento social e político da instituição faraônica para com seu povo.

***

Fiquei curioso a respeito dos textos mencionados, e achei que o museu poderia ter colocado amostra de pelo menos um deles. Pesquisei na Internet e tive dificuldade para encontrar excertos de alguns. Achei esse, de uma professora gaúcha, do qual faço abaixo reprodução parcial e coloco o site, tanto para dar crédito a quem merece, quanto para aqueles que são curiosos, como eu, terem mais informações a respeito da literatura egípcia:

"Em A sátira dos ofícios, que tem por cenário a viagem de pai e filho rumo à Escola de  Escribas,  na qual  o garoto  vai  estudar, o progenitor descreve  os  diferentes  ofícios  e esclarece  o  jovem sobre todos   os ofícios  e especifica para  o  jovem  todos  aqueles disponíveis  para   ele  no  antigo Egito,  arrolando,   com muita precisão, os   problemas intrínsecos a cada uma dessas várias atividades. 

Dua  Khety  discorre sobre quinze  ofícios, que  vão do de oleiro, bastante  cruel, porque  obriga a remexer na  lama como um porco, ao de pescador,  o mais  sofrido, porque tem os crocodilos como companheiros  de labuta. Em contrapartida, Dua  Khety elogia  as condições  de trabalho  e refere as recompensas recebidas por aqueles  que  sabem  ler  e escrever, salientando sua principal vantagem: “não  há  profissões sem chefe, exceto  a  do escriba. Ele é sempre tratado com dignidade por onde quer que vá”.

Margaret Bakos

Profª adjunta do Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS); doutora em História (USP); pós-doutora em História (University College London); coordenadora da pesquisa Egiptomania no Brasil (CNPq).

http://docplayer.com.br/18923943-Cotidiano-do-oficio-de-escriba-ecos-em-deir-el-medina-novo-reino.html


Literatura do Antigo Egito
https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_do_Antigo_Egito
Os textos das Pirâmides

Os textos das Pirâmides são os mais antigos sobreviventes da literatura egípcia. Estão estritamente ligados com a realeza no Reino Antigo (2575 - 2134 a.C.), como forma de garantia à ascensão do rei na vida após a morte.

O primeiro texto a ser encontrado foi o da tumba do faraó Pepi I (2289 - 2255 a.C.), descoberto por um arqueólogo francês, Gaston Maspero, no ano de 1880.
Entretanto, o texto mais antigo que conhecemos é o da tumba do faraó Unas (2356-2323 a.C.). A  descoberta dos Textos das Pirâmides foi importante para o conhecimento atual do Egito Antigo, principalmente de conteúdos presentes nas crenças religiosas dos egípcios durante o período  conhecido como Reino Antigo.

Acredita-se que eles surgiram das histórias contadas em períodos mais remotos, ou seja, uma espécie de tradição oral passada de pai para filho. Os textos foram gravados nas paredes das pirâmides feitas de calcário. Estão dispostos principalmente em colunas verticais, nas antecâmaras, passagens, rampas e câmaras mortuárias, para que o faraó pudesse "ver" e "ler" esses textos. Podemos citar a tumba do faraó Unas que não possui imagens, apenas inscrições que foram pintadas de verde.

Nesse sentido, os Textos das Pirâmides são orações e encantamentos temáticos, ou seja, lendas, mitos, astronomia, cosmologia, geografia, rituais, festividades, magia e moral. Sua principal função era assegurar a passagem do rei para o outro mundo e a chegada do faraó junto aos deuses, para os egípcios esse é o lugar de direito do rei.

Os textos aparecem principalmente relacionados ao culto solar. Porém, os egípcios acreditavam que a magia era potente e não excluíam outras possibilidades de aumentar a eficácia dos textos. Portanto, não possuem forma pronta em todas as pirâmides, sendo que alguns capítulos repetem-se. Além do culto solar, aparecem referenciados também os deuses  Osíris e Hórus, complementando assim, os encantamentos reais.

Os textos dos sarcófagos e dos mortos

A ideia de imortalidade para os egípcios antigos é recorrente em toda a história desse povo.
Por isso, preocupavam-se com todo o enxoval funerário e com os equipamentos "necessários" para a passagem do falecido até o outro mundo. O sarcófago era parte do equipamento funerário e possuía as funções práticas de guardar a múmia e proteger o morto.

Com a transição do Reino Antigo para o Reino Médio (entre 2134 e 2040 a.C.), as práticas funerárias também sofreram modificações. Na literatura egípcia antiga, a principal mudança foi com relação aos textos funerários, que passaram a fazer parte da decoração dos sarcófagos.

O que podemos observar é um temor egípcio sobre a morte. Os sarcófagos deste período eram decorados com pinturas do Olho de Hórus, geralmente próximos da cabeça da múmia, que era uma forma de representação para que a pessoa pudesse "ver" através do Olho de Hórus.

Em alguns textos dos sarcófagos, há uma importante parte que foi chamada de "Livro dos Dois Caminhos". Esse texto servia como um mapa do outro mundo que continha nomes e localidades para que o falecido tivesse uma passagem bem sucedida.

Muito populares neste período, os textos com os encantamentos mágicos foram transferidos para papiros (a partir do Reino Novo - 1550 - 1070 a.C.). Neste caso, os encantamentos serviriam principalmente para assegurar a ressurreição do morto no outro mundo. No conteúdo dos textos funerários, podemos encontrar não apenas encantamentos, como também atos ritualísticos, que eram realizados durante o sepultamento e o culto mortuário.

Disposto em capítulos, o "Livro dos Mortos", vinha acompanhado de vinhetas (pequenas cenas acompanhadas de inscrições) que eram comuns nos sarcófagos. Para os egípcios antigos, o livro era de autoria divina, principalmente associado ao deus da sabedoria Toth (o deus da escrita).

Os textos apareciam junto a múmia, dentro do sarcófago, em um nicho na parede da tumba, ou mesmo dentro de uma estátua oca de madeira do deus Osíris ou da divindade híbrida Ptah-Sokar-Osíris - uma mistura de três deuses. O papiro se tornou popular pelo custo menor que das pinturas para sarcófagos.


 Apoio para cabeça de Pepi II

Período: Reino Antigo - VI Dinastia - 2323 - 2150 a.C.
O original encontra-se no Museu do Louvre - Paris - França.

Peças semelhantes a esta eram utilizadas pelos egípcios como uma espécie de travesseiro. O presente exemplar pertenceu ao faraó Pepi II e foi confeccionado em alabastro. O suporte para a parte côncava, de formato circular, possui uma série de frisos paralelos, que contrasta com a base lisa. Na parte frontal observa-se uma faixa de hieróglifos dispostos dentro de um cartucho (anel elíptico) que contêm os títulos e o nome do faraó.

 Caixa de cosméticos de Meryt

Proveniência: Tumba do Arquiteto Kha - Deir el-Medina - Egito
Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
A original encontra-se no Museu Egípcio - Turim - Itália

Meryt era esposa do arquiteto Kha e foi enterrada na tumba do marido. Para o outro mundo, o casal providenciou todos os tipos de bens para compor seu enxoval funerário. Dentre os itens pertencentes à Meryt havia esta caixa de cosméticos, cuja inscrição sobre a tampa indica seu uso mortuário: "Uma oferenda feita a Osíris, o bom governante da eternidade, para que ele faça invocações de oferendas para a Ira de Meryt".
 Pote para guardar khol

Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu do Louvre - França.

Devido ao clima seco e árido em que viviam os egípcios antigos, era comum a utilização de uma pasta escura ao redor dos olhos, dando proteção e lubrificação aos mesmos. Esta parta, conhecida como kholera geralmente guardada em potes. Este pote foi confeccionado em faiança egípcia e coberto com um fino esmalte amarelo. o recipiente traz inscrições hieroglíficas em azul, nas quais apareceu os nomes do faraó Amenhotep III e da rainha Tlye.

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Tubo com bastão khol

Período: Reino Novo - XVIII Dinastia - 1550 - 1307 a.C.
O original encontra-se no Museu Egípcio - Turim - Itália

Os antigos egípcios amavam a beleza e a elegância. Adornavam-se com perucas, grinaldas de flores, finos tecidos de linho, joias, além de fazer uso de muitos cosméticos e perfumes. Um dos produtos utilizados era o khol, uma espécia de delineador preto, elaborado de minério de chumbo esmagado.

Este é um tubo para guardar o bastão de khol que pertenceu à rainha Tlye, feito em faiança e vidro.
 Máscara funerária do faraó Psusennes I

Proveniência: Tânis - Egito
Período: Terceiro Intermediário XXI Dinastia - 1070 - 712 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Tânis, uma cidade no delta do Nilo, foi capital do Egito durante a XXI Dinastia. Nessa localidade, em 1939, o arqueólogo Pierre Montet encontrou um conjunto de tumbas reais, várias delas intactas, inclusive a deste faraó. Dentre os muitos objetos encontrados, estava esta máscara em ouro e lápis-lazúli. O faraó encontra-se representado com a coroa Nemes, uma espécie de toucado, tendo em sua fronte a serpente Uraeus, símbolo do poder real.
Colares e peitoral com escaravelhos do faraó Psusennes I

Proveniência: Tânis - Egito
Período: Terceiro Intermediário XXI Dinastia - 1070 - 712 a.C.
O original encontra-se no Museu Nacional Egípcio - Cairo - Egito.

Geralmente tidos como símbolo de renascimento e proteção, os escaravelhos eram utilizados na decoração de joias, assim como aparecem nestas peças pertencentes ao faraó Psusennes I. O peitoral foi confeccionado em ouro, lápis-lazúli, cornalina e pasta de vido, trazendo ainda um cartucho com o nome do faraó. No colar abaixo há o disco solar alado, no qual pendem duas serpentes que protegem o nome de Wendjebauendjed, inscrito em uma coluna.

Fotografado em quatorze de outubro de 2016.



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