sábado, 27 de dezembro de 2014

Maria Polenta - Maria Trevisan Tortato

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Praça Maria Polenta (detalhe), fotografada em 19 de novembro de 2008.


Maria Trevisan nasceu em 2 de março de 1880 em Mira, comunidade próxima à Veneza, região de Vêneto na Itália, filha do casal Giuseppe Francisco de Moretto Trevisan e Tereza de Bortoli.

Em 12 de fevereiro de 1892 Giuseppe e Tereza imigram para o Brasil, à bordo do La Veloce. Chegam ao Paraná em 28 de abril de1892, provenientes do Rio de Janeiro.

Trazem seus oito filhos: Giovani, Maria, Antonio, Sante, Virgínio, Domenico, Emílio e Anna. Mais tarde nasceria Luiz, já no Brasil.

Foi-lhes destinada a Colônia Alexandra, mas pelas condições inóspitas do local, mudaram-se para a Colônia Dantas, que mais tarde seria o bairro Água Verde, no local chamado Capão d'Amora. A região também era conhecida como Borghetto (que seria hoje entre a Travessa João Turin e a Av. Sete de Setembro até a Praça do Japão), onde havia a maior concentração de italianos em Curitiba.

Maria Trevisan casou-se em 12.02.1898 com Giuseppe Tortato, na Paróquia de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Em 14.01.1908 (1), era celebrado o casamento civil, em Campo Comprido, Curitiba. Seu marido, conhecido como  Bépi Érico, era pedreiro de elite, chamado para construir igrejas, a exemplo da Imaculado Coração de Maria, no bairro Rebouças. Após o casamento,  passaram a residir na Rua Alferes Ângelo Sampaio, entre a Av. Sete de Setembro e a Av. Silva Jardim. Tiveram 10 filhos.

Antonio, irmão mais novo de Maria, era funcionário da Todeschini e teria substituído Dona Domenica Todeschini que era a cozinheira da  fábrica. Como saiu-se bem na polenta, que era a base da comida, passou a ser chamado de Antonio Polenta, apelido que estendeu-se à família.

A própria Maria contava que tudo iniciou quando ela sonhou com seu avô e este lhe dissera que no dia seguinte iria vir à sua presença uma criança com uma fratura e que ela deveria fazer tal procedimento para curá-la. De fato, segundo ela, tal sucedeu e a criança ficou sã em pouco tempo.

Maria Moreira, benzedeira famosa, lhe transmitiu os conhecimentos, além do ancião Modesto Emiliano que teria lhe instruído como lidar com os traumatismos musculares e ósseos.

Dentre outros, ela cuidou de Alfredo Gottardi, o Caju um dos maiores goleiros que o Brasil já teve, Leônidas Gonçalves (o Marrequinho), Sefredo Cavicchiolo (o Filhinho), Augusto Kispperger e outros, do Atlético, Britânia, Savóia ou Palestra Itália.

Maria era popular entre os "sem médico".

Maria Polenta tinha como vizinhos Guido Viaro, Erasmo Pilotto (3) e João Turim.

Poty Lazzarotto, que não morava perto, chegou a pintar-lhe um retrato, de memória.

O ritual era sempre o mesmo. Ela puxava conversa, perguntava o nome e ia passando o polegar esquerdo na região afetada. De repente, dava um puxão. Depois, passava água vegetal canforada. Se fosse o caso, improvisava uma tala. O material era comprado no laboratório Antisardina logo em frente. Depois de tirar a tala ela ensinava o que hoje se chama de fisioterapia. Foi assim durante 50 anos. Uma vida dedicada a minorar o sofrimento humano.

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(1) Somente a partir da Proclamação da República (15.11.1889) é que passou a ser obrigatório o registro público de nascimentos, casamentos e óbitos em ofícios do Estado.

(3) Erasmo Pilotto. Publiquei no meu outro blog informações sobre ele e fotos do jardinete em sua homenagem:
http://familiapetroski.blogspot.com.br/2012/07/jardinete-erasmo-pilotto-agua-verde.html

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Em 2008, quando pesquisei navios nos microfilmes da Biblioteca Pública, descobri que eles guardam recortes de jornal em pastas de algumas personalidades na Divisão de Documentação Paranaense - Biografias. Como eu tinha fotografado a Praça Maria Polenta, mas não havia encontrado na internet dados suficientes para homenageá-la, fotografei todo o material que havia na pasta e isso facilitou minha pesquisa.
José Maria

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Placas afixadas em uma casa na esquina das Ruas Maria Bueno com Maria Trevisan Tortato, no bairro Novo Mundo. Maria Bueno está enterrada no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, no bairro São Francisco.

Fotografada em 4 de julho de 2012.

Rua Maria Polenta
Dona Maria Trevisan Tortato, a Maria Polenta, nasceu na Itália, em 1880. Imigrante, tornou-se uma figura das mais populares em toda a Água Verde e Curitiba. Curava rendiduras e quebraduras, através de massagens e chás, atendendo a todos que a procuravam, gratuitamente. Costurava, benzia, arrumava os ossos e conhecia tão bem o corpo humano e as juntas que são famosas as histórias de jogadores de futebol que a procuravam para consertar até pernas quebradas. Maria Polenta faleceu em 1959.
 Praça Maria Polenta     
Av. República Argentina X
Av. Pres. Getúlio Vargas X
R. Carneiro Lobo    
400m2
Água Verde    
Curitiba    


Herma de Maria Polenta
Logo após a sua morte, os moradores da antiga Colônia Dantas começaram a se movimentar para prestar homenagem a sua mais ilustre moradora. Surgiu um movimento popular para ereção de um busto em memória à Maria Polenta. Todo mundo queria doar dinheiro e a arrecadação foi tão grande que o excedente foi doado à uma instituição de caridade. O artista escolhido foi Erbo Stenzel. A lei que autorizou a colocação é do dia 13 de agosto de 1960, sancionada pelo prefeito Iberê de Mattos.
 A MARIA POLENTA
EXEMPLO DE CARIDADE E BONDADE
A GRATIDÃO DO
POVO PARANAENSE
MCMLX

 Demais fotos da praça tiradas em 15 de junho de 2012.

Túmulo fica na quadra 177, lote n.º 22, no Cemitério Municipal do Água Verde.
Maria Trevisan Tortato teve um dos maiores funerais que Curitiba já conheceu.


Alguns dos agradecimentos.


Jazigo fotografado em quatro de julho de 2012.


(Postagem importada de outro blog do qual sou coautor).

Fontes:
- Câmara Municipal de Curitiba.
-  Água Verde - O Bairro na História da Cidade-
Boletim Informativo da Casa Romário Martins -
Ano IX n.º 68 - Novembro/1982;
- Centenário de Imigração - 1892 - 1992 - Família Giuseppe Trevisan;
- Pesquisa na estaca do Portão (mórmons) em 03.03.2009, efetuada por
Yara do Rocio Bonat Trevisan; 
Material da Biblioteca Pública do Paraná:
-  Jornal O Estado do Paraná - Edição de 2 de março de 1980;
- Jornal A Gazeta do Povo - 18/03/2007, pág. 6, Paraná;
- La Settimana - San Paolo, dal 13/10 al 19/10/1977, Cronache - página 11.


8 comentários:

  1. Sua "bisa" foi uma personalidade marcante de Curitiba.

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  2. Existe documentos sobre a devoção a Maria Polenta?

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  3. Você quer saber se Maria Polenta era "milagreira"? Há alguns agradecimentos no jazigo dela, mas desconheço se há "milagres".

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  4. Existe anotações sobre os benzimentos? As orações que eram feitas na hora do benzimento? Os ensinamentos de Maria Polenta foram passados para alguém da família?
    Tem fotos do dia do seu enterro? Em uma reportagem dizem que foram 5 quilômetros de pessoas acompanhando o cortejo. Isto procede? Só para explicar, estou com um projeto de pesquisa estudando a religiosidade popular em Curitiba, incluindo Maria Bueno e Maria Polenta.
    Algumas benzedeiras em Curitiba seguem os ensinamentos deixados por Maria Polenta?

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  5. Fábio,

    Não sou especialista no assunto, apenas publiquei baseado em material que encontrei principalmente na Biblioteca Pública do Paraná - Divisão Paranaense.
    Demais fontes de consulta você encontra na própria postagem.

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